Manaus (AM) – A economia brasileira voltou a crescer no segundo trimestre de 2026 e apresentou resultado melhor que o esperado pelo mercado, embora os números também mostrem uma desaceleração da atividade econômica.
O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% entre abril e junho, na comparação com os três primeiros meses do ano. O desempenho ficou acima da mediana de 0,4% prevista por economistas consultados pela Reuters. Na comparação com o mesmo período de 2025, a economia brasileira cresceu 2%.
O resultado mantém o Brasil entre as economias que apresentaram expansão no período, mas representa perda de velocidade em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB havia crescido 1,1%.
A desaceleração já era esperada diante dos efeitos da política monetária restritiva. A taxa básica de juros permanece em 14% ao ano, apesar do início do ciclo de redução promovido pelo Banco Central em março.
Agropecuária puxa crescimento
Entre os setores da economia, a agropecuária apresentou o melhor desempenho no segundo trimestre, avançando 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, impulsionada pelo desempenho das safras.
Os serviços cresceram 0,2%, enquanto a indústria registrou avanço de apenas 0,1%.
Um dos principais sinais de alerta veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% no trimestre. Foi a primeira queda em três trimestres, após crescimento de 0,8% entre janeiro e março.
O comportamento do consumo ajuda a mostrar os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica. Crédito mais caro tende a reduzir compras financiadas, investimentos e decisões de consumo das famílias.
Resultado acima das expectativas
Apesar da desaceleração, o desempenho brasileiro superou as expectativas tanto na comparação trimestral quanto na anual.
Economistas consultados pela Reuters esperavam expansão de 0,4% entre o primeiro e o segundo trimestres e crescimento de 1,8% sobre igual período do ano passado. Os resultados efetivos foram de 0,5% e 2%, respectivamente.
Como referência internacional, o conjunto dos países da OCDE também apresentou crescimento de 0,5% no segundo trimestre. Entre as grandes economias do G7, o desempenho foi mais moderado, com expansão de 0,3% no período, segundo dados preliminares da organização.
A classificação definitiva envolvendo as economias do G20, porém, ainda não está disponível. O calendário oficial da OCDE prevê a divulgação dos números consolidados do segundo trimestre em 14 de setembro.
Economia entra na campanha eleitoral
Os números também ganham peso político por serem divulgados em plena campanha para a eleição de 4 de outubro.
O desempenho da economia tende a ocupar espaço crescente no debate eleitoral, com emprego, renda, inflação, juros e poder de compra entre os indicadores utilizados tanto pelo governo quanto pela oposição na disputa pela avaliação do eleitor.
O governo chega à campanha podendo apontar crescimento econômico e um mercado de trabalho ainda resistente. Por outro lado, a desaceleração do PIB e a retração do consumo oferecem argumentos para quem questiona o ritmo da atividade.
O Ministério da Fazenda reconheceu a perda de velocidade. Em nota divulgada nesta terça-feira (1º), a Secretaria de Política Econômica classificou o segundo trimestre como um período de desaceleração após o forte crescimento registrado no início do ano.
A pasta trabalha atualmente com projeção de crescimento de 2,3% para o PIB em 2026, mas informou que está reavaliando a estimativa, com possibilidade de revisão para baixo no próximo relatório macroeconômico.




